O Modelo Integrado de Acessibilidade Neurofuncional (MIAN): Um referencial teórico para a compreensão da linguagem e a aprendizagem em crianças com implante coclear
Palavras-chave:
Modelo integrado de acessibilidade neurofuncional, Implantes cocleares, Compreensão da fala, Esforço de escuta, Acessibilidade, Aprendizagem, Educação inclusivaResumo
O acesso à linguagem falada representa um requisito fundamental para a aprendizagem em contextos educacionais. Em crianças com implante coclear, a percepção auditiva é restabelecida por meio de mediação tecnológica, mas o acesso ao som não garante necessariamente uma compreensão eficiente da fala nem a aprendizagem. Este artigo apresenta o Modelo Integrado de Acessibilidade Neurofuncional (MIAN), um referencial teórico que conceitualiza a acessibilidade como uma condição neurofuncional que emerge da interação entre a qualidade do sinal sensorial, a estrutura do ambiente e a disponibilidade de recursos cognitivos. Nesse modelo, a acessibilidade distingue-se da audibilidade e é definida como o grau em que a informação linguística pode ser acessada, processada e estabilizada de modo eficiente pelo sistema nervoso para apoiar a aprendizagem. A acessibilidade reduzida aumenta o esforço de escuta, realoca recursos cognitivos para a reconstrução perceptiva e limita processos cognitivos de ordem superior, como a compreensão e a codificação na memória. O modelo MIAN integra perspectivas neurocientíficas, cognitivas e educacionais para explicar como a variabilidade nos resultados de aprendizagem entre crianças com implante coclear pode refletir diferenças de acessibilidade, em vez de limitações cognitivas intrínsecas. O referencial destaca o papel da estruturação ambiental na otimização da acessibilidade e na redução da carga cognitiva.
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